GUSTAVO ALBRECHT - Rio de Janeiro -
Presidente da ABUL
O Eugênio me pediu para dar minha opinião sobre o
uso de pára-quedas balístico na aviação leve. Resolvi apresentar alguns fatos
pois creio que serão mais convincentes do que qualquer palavra de minha
parte.
Nossa mentalidade joga um pouco contra a Segurança de
Vôo, senão vejamos:
- somente nos últimos anos os brasileiros têm feito
seguro total para seus veículos terrestres e, na aviação desportiva, somente
cerca de 10% da frota é segurada;
- temos até um ditado que diz: colocou a tranca na
porta depois do arrombamento;
- sempre pensamos que os acidentes só acontecem com os
outros.
Nos anos 80, quando os ultraleves chegaram ao Brasil,
muitos deles eram equipados com pára-quedas mas, à medida que venciam suas
cargas explosivas, foram sendo abandonados pela dificuldade em importar tais
cargas para substituição.
Desde lá, embora na época nenhum deles tenha sido
acionado, muitos pilotos e acompanhantes perderam suas vidas em acidentes nos
quais esse equipamento poderia tê-las salvo.
Eu estou voando um RV6 e faço acrobacias a uma altura
na qual um pára-quedas pessoal não tem utilidade. Já falei com o Eugênio para
instalar um balístico nele e estamos estudando a melhor forma de instalação para
não afetar muito o CG pois num acrobático o CG traseiro é perigoso.
Quando minha namorada comprou o RV6 fomos buscá-lo em
Campinas. Decolamos de lá para o Rio de Janeiro e, no cruzamento da Serra do
Mar, entre Parati e Angra dos Reis, o motor deu uma rateada feia. O coração veio
na boca mas, trabalhando na mistura, consegui mantê-lo funcionando. Descobri que
os bicos injetores do Lycoming haviam recebido apenas um aperto manual, além de
estar com velas inadequadas. Lembro que na hora olhando para baixo e só vendo
montanha e árvores, com minha namorada a bordo, teria dado tudo que tenho( não é
muito mas é TUDO) para ter um pára-quedas instalado.
Meu filho acabou de comprar, em sociedade com seu
patrão, um Legend ( turbo hélice acrobático) e sua primeira pergunta ao
construtor americano foi: -dá para colocar um pára-quedas balístico nele?
Na Alemanha TODAS as aeronaves experimentais somente
são autorizadas a voar se equipadas com um pára-quedas.
As aeronaves CIRRUS ( aviões homologados) saem de
fábrica com o pára-quedas, não sendo item opcional.
Já conversei com o Polizio da MAPFRE propondo que
estude um desconto nos seguros de casco das aeronaves equipadas com um balístico
pois esses dificilmente terão grandes danos, no caso de um acidente.
Quando o Eugênio pediu o registro (ou transferência,
não lembro) da aeronave que seria usada nos ensaios, consegui que o Gonçalves
fizesse o trabalho gratuitamente como forma de colaborar com o projeto.
Creio que são argumentos suficientes para mostrar o
que penso a respeito desses equipamentos de segurança.
Gustavo H.
Albrecht Presidente da ABUL Piloto de
acrobacia |